Filosofia

Admitir Uchi Deshi (*)

Dr. Masaaki Hatsumi, do livro “os pergaminhos segredos da Escola Togakure Ryu” Traduzido do original e publicado em 1984 intitulado Hiden Togakure Ryu Ninpo.
Sem limitá-lo ao Budo (*), a presença do mestre é inegável em qualquer “Arte” que se preze. Seguir um bom professor e entregar-se à prática de corpo e alma, representa a melhor forma de chegar a ser um bom Bujin (*). Não obstante, insisto que aprender sob a tutela de um teórico do Budo, só pode dificultar e nos afastar do Satori (*) que costumamos procurar.
Antigamente, quando alguém se apresentava na casa do mestre para lhe pedir que o aceitasse como Uchi Deshi, se tinha boa sorte, começava a praticar e antes de se dar conta estava treinando no meio da natureza, sem questionamentos. Também houve casos de pessoas que encontraram por acaso com um professor excepcional e decidiram seguir essa pessoa extraordinária tornando-se seu aluno. Em ambos os casos, o que define se esse alguém se torna Bujin é a persistência da sua decisão e seu próprio esforço. Naqueles tempos dos que estou falando, o candidato a se tornar Uchi Deshi sabia para o que estava exposto. Eu sabia que tinha que cuidar de cortar a lenha a cada manhã e que além disso tinha que cuidar da limpeza de toda a casa e do próprio Dojo. Eram obrigações completamente normais. Só nos momentos que me restavam livres depois de tanto trabalho é que o mestre me dedicava um pouco de atenção. Mas ao longo de toda a jornada, a cada dia, o professor observa ao discípulo para poder calcular o grau de interesse e esforço que o mantem.
Dentro deste processo, um bom dia, o professor decide dedicar tempo ao discípulo e mostrar-lhe algo que nem todos podem entender. De uma maneira fluida, natural, através da prática e os toques diários, o aprendiz começa a entender, de verdade, a qualidade técnica e humana de seu mestre. É a partir deste momento, sem necessidade de cerimônias nem explicações, quando o aprendiz se torna um Uchi Deshi.
Uchi Deshi: aluno interno
Budo: Artes marciais
Satori: Iluminação

Texto escrito pelo Dai Shihan – Pedro Fleitas

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