Filosofia

O Mestre Takamatsu

O mestre Takamatsu foi uma pessoa com a máxima realização.

Texto retirado do livro Bujin “divino guerreiro”, escrito pelo Dr. Masaaki Hatsumi.

O que segue é uma entrevista que o Soke Masaaki Hatsumi teve na casa do Sr. Ryōtarō Koyama, um dos escritores japoneses com maior prestígio e ao mesmo tempo historiador Ninja, nesse encontro eles trocaram impressões sobre as relações pessoais que cada um teve com o mestre Takamatsu.

TESTEMUNHO HISTÓRICO

A razão pela qual temos sido testemunhas da história aplicado em meu próprio caso, por exemplo, deduz-se que, como o sucessor da principal linhagem das nove escolas de artes marciais fundadas pelo mestre Takamatsu, lembro-me regularmente as coisas que me foram ensinadas por ele, ou releio uma e outra vez as tangíveis relíquias, tais como o livro dos ensinamentos legado da linha de sucessão e as cartas que recebi dele.

Também tenho oportunidades de encontrar e conversar com outras pessoas que também conheceram o mestre Takamatsu.

Em tais ocasiões, algumas coisas são relevantes como os ponteiros de um relógio que se sobrepõem na mesma posição mutuamente e parecem um só até que se voltam a serem vistos. Como exemplo disto, gostaria de compartilhar com vocês uma recente conversa que tive com o Sr. Ryōtarō Koyama.

Masaaki Hatsumi – Foram duas vezes em que o sr. encontrou-se com o mestre Takamatsu e isso foi há 26 anos, e quando ocorreu o segundo desses encontro?

Ryotaro Koyama – Isso mesmo, foi ha 26 anos. E estava a espera da sua visita, hoje quando abri a estante encontrei o bloco de notas que utilizei naquele encontro.

Masaaki Hatsumi – Verdade? Pois deveria ter algum tipo de Karma a trabalhar para nós, para que você encontrasse o bloco de notas correto entre os inúmero livros que possui. Ou parece-me que o mestre Takamatsu estando no outro mundo ajudou aparecer o bloco dizendo a você que me ensinasse os apontamentos deste encontro, uma vez que tenho facilidade de esquecer as coisas, “risos”.

Ryotaro Koyama – Os pais continuamente estão preocupados e inquietos por suas crianças, não importa tão magnífico que eles se tornem. O mestre Takamatsu deve ter sentindo o mesmo por você.

Masaaki Hatsumi – Realmente pensa assim? Então, se é como você diz, estou sentindo me grato por isso.

Ryotaro Koyama – De acordo com as minhas anotações na quinta-feira, 27 de março de 1.963, o tempo é agradável e limpo.
Primeiro, visitei o altar Kashihara onde o Imperador Jimmu, o primeiro imperador do Japão, está enterrado como relíquia. Depois visitei o mestre Takamatsu em sua casa. Comecei por perguntar a sua idade, e o que o mestre me respondeu: Eu nasci em Meiji no dia 22 de 1898, mas não costumo dizer a ninguém a minha idade. Há aqueles que morrem ao tempo de nascer, enquanto há outros que vivem muito tempo sem contar os anos, como eu faço. Há quem viva por muito tempo e quem vive pouco. Todos têm atribuído a sua porção de anos no próprio lote. Bem que eu não me vejo ficando velho. Com esta expressiva e enérgica observação o mestre me ganhou por desde o início do nosso encontro.

Masaaki Hatsumi – Foi assim? Ele também costumava dizer-me que em seus 50 ou 60 anos um homem ainda é apenas um aprendiz, e que a flor da natureza humana vem somente ao final dos 70 ou 80 Anos. Por isso, algumas vezes, um pouco de brincadeira se gabava do seu carinho com por sua esposa dizendo: Quando saio de viagem, minha esposa põe muito dinheiro na minha carteira me dizendo: Mr. Koyama a menos que você tenha muito dinheiro, não será bem-vindo pelas gueixas. Rindo.

Ryotaro Koyama – O mestre estava certo sendo forte e cheio de energia nessa idade. Ele também me contou acerca do tempo que serviu como Sacerdote no templo Tendai, ele se ocupava de diversas atividades durante sua estadia na China. E um dia me contou um episódio em que derrotou 60 malfeitores quando tinha apenas 13 anos de idade.

Masaaki Hatsumi – A ele foi entregue o título de mestre nas Escola de Shinden Fudo, Koto e outras que lhe foram dadas pelos seus mestres Toda e Ishitani quando ele ainda tinha apenas 13 anos.
Mudando de assunto, Sr. Koyama, você publicou um livro intitulado “This is Ninjutsu” no dia 02 de julho de 1963?

Ryotaro Koyama – Foi sim. Infelizmente não tive muito tempo de fazer cópias para mim.

Masaaki Hatsumi – Oh, Deu. Eu ainda tenho alguns exemplares e mando-lhe um imediatamente.

Ryotaro Koyama – Obrigado, você me faria um grande favor. Takamatsu falou-me de um episódio ocorrido quando estava no topo de sua destreza física, quando ele tinha 26 anos, serviu como presidente da Butoku-Kai no norte da China. Naqueles dias nunca suava, mesmo quando estava a dar aulas a 60 vigorosos discípulos.

Masaaki Hatsumi – Isso é verdade. Tenho aqui um cartão de visita me lembrando esses dias. O mestre Takamatsu me deu há uns 30 anos e ainda o tenho comigo como amuleto.

Ryotaro Koyama – Foi então que soube do mestre, que uma vez teve uma briga com um militar com mais de 30 Kan (cerca de 248 quilos) de peso chamado Zhang Zi Liang, o qual era um proeminente perito de Shorinji Kempo. Mesmo que Takamatsu negava-se a lutar com ele, acabou que não teve escolha e aceitou após ser desafiado por três vezes. Takamatsu falou de um sonho que teve e que no sonho um Ogro tentava golpear uma Borboleta com um bastão de ferro e a Borboleta esquivava dos ataques voando em volta velozmente. Vendo isso no sonho, o mestre Takamatsu pensou que lhe tinha sido dada a solução para o seu problema.
A batalha teve lugar na área da Butoku-Kai. Zhang Zi Liang saltou a dar chutes em um feroz ataque como se fosse um Dragão respirando fogo pela boca, e golpes com os punhos como se fosse um Tigre feroz armado com as garras nas patas. O mestre Takamatsu esquivou destes ataques pulando ligeiramente de um lado para o outro, a frente e para trás, mantendo uma distâncias tão magníficas como dois KEN (cerca de 11.93 pés). Depois de uma hora aproximadamente Zhang Zi liang com seu pesado corporal, ficou tão molhado de suor que acabou caindo como uma cascata os seus movimentos que começaram a ficarem lentos. Enquanto o mestre Takamatsu, dava graças ao seu treinamento ficando completamente livre, tanto de fraturas como de suor. Isso é o que eu ouvi. Nesse momento, o Sr. Lian, Tio do Imperador, ofereceu-se como intermediário para parar o combate nesse ponto. O mestre Takamatsu honrou a oferta porque acreditava que o principal objetivo das artes marciais não é determinar quem ganha ou perde. Então Zhang Zi Liang, pediu ao mestre Takamatsu que o deixa-se ser seu discípulo e ambos chegaram a ser irmãos sob juramento. Obviamente Zhang Zi Liang deve ter ficado impressionado com a personalidade e a capacidade do mestre Takamatsu, ele jurou que se algum mal lhe acontecesse, ele viria em sua ajuda não importa o quão longe do lugar que estivesse. De fato, mais tarde, quando o mestre Takamatsu se sentiu em perigo pela falta de força, Henso, Zhang Zi Liang entrou em cena para ajudar o professor. Além destes episódios o mestre Takamatsu me contou várias histórias mais durante cerca de 4 horas, ele dizia que a grande diferença entre o homem e os animais é uma cara sorridente.
Em outra história mencionou que um dia, estava no quarto dos trabalhadores da fábrica de fósforos do seu pai em Kobe e aconteceu um incêndio. Os trabalhadores gritavam cheios de pânico, fogo, fogo. Nesse momento, enquanto fumava um cigarro, se lembrou de como controlar um incêndio. O fato de treinar as artes marciais o ajudou fisicamente para conseguir jogar água no incêndio pegando água com um pau de cerca de 03 Shaku (cerca de 3 pés) com baldes nas extremidades.
Vendo a proeza de Takamatsu, o mestre Ishitani lhe elogiou dizendo: Você é muito mais do que eu pensava que era.

Masaaki Hatsumi – O mestre Takamatsu frequentemente destacava a importância da coragem e nesse episódio demostrou muito claramente isso.
Outra coisa que gostaria de destacar, é que, apesar do fato de que o mestre Takamatsu não havia visitado a minha casa, enviou-me um plano completo do interior da minha casa, que era correto em tudo, como se eu mesmo tivesse desenhado, e não o mestre.

Ryotaro Koyama – Que interessante! Eu tive uma experiência semelhante com ele, quando visitei a sua casa, cheguei mais cedo do que o previsto. Para meu espanto o mestre já estava preparado para me receber. Enquanto eu falava com ele que deveria ter tido um extenso treinamento no templo Tendai, percebi nele o espírito de um grande Sacerdote e senti que era purificado, fisicamente e espiritualmente com um sentimento de profunda reverência por ele emanando para eu mesmo.

Masaaki Hatsumi – Ah, então você também teve uma experiência semelhante? Para mim o mestre Takamatsu foi um verdadeiro pai. Eu sempre tive um sentimento de reverência para com ele e uma grande confiança em seu amor. Agora recordando a carta que eu mencionei antes, onde ele com tal precisão sabia o plano da minha casa sem tê-la visto, eu só posso presumir que foi percepção nascida do ensino dos Shinobis “espionagem e a arte da dissimulação”. Digo isto porque ele era treinado para penetrar em locais desconhecidos, com o fim de obter informações sobre esses estranhos lugares. Por exemplo, em castelos feudais mesmo sem conhecer o mapa desses lugares ou as estruturas desses castelos.

Ryotaro Koyama – Durante minha conversa com ele comecei a aperceber o significado da frase a realização máxima ou a realização final a que me tinha falado anteriormente.
A meu ver, o que tem importância suprema para um praticante de artes marciais é conseguir ultrapassar o nível do mestre ou de um artista consumado, suponho que isto pode ser expresso como o reino da realização máxima ou da última conquista que é mais vital, mesmo que a santidade, ou algo parecido.
Certamente, ele foi em um sentido real um professor que possuiu por completo esta realização máxima.

Masaaki Hatsumi – Uma pessoa com a realização máxima. Sr. Koyama, hoje sinto que estava certo quando pensei ter estado a falar com o mestre Takamatsu através de você. Um maravilhoso sentimento!
Eu não consigo arranjar o grande reino do conquista final, a máxima realização alcançada pelo mestre Takamatsu… Mas, mesmo assim eu sou um homem de sorte por ser ter sido um discípulo de um mestre tão grande como o mestre Takamatsu. Sou capaz de viver com as minhas lembranças para o resto da minha vida.

Texto escrito pelo Dai Shihan – Pedro Fleitas Gonzáles

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