Filosofia

Seisshin Teki Kyoyo – Refinamento Espiritual

 Esse post é uma tradução de um texto do dai shihan Pedro Fleitas Gonzales.

De meu livro, Abreviando, PFleitas

Até a introdução do budismo, as práticas religiosas japonesas careciam de ensinamentos morais e nelas não existia a crença em algo após a morte que envolvia recompensas, penitencia, ou um castigo segundo os atos realizados em vida.

Os primeiros ensinamentos budistas chegaram ao Japão pela China, embora a primeira imagem religiosa tenha vindo da Coréia.

O primeiro texto budista do Japão foi o Giso, compilado pelo príncipe Shotoku no século VII. Um dos princípios mais importantes do budismo afirmava que nesse texto coexistia todo o presente, passado e futuro.

O budismo se desenvolveu no Japão durante quatro períodos bem distintos. O primeiro, começou com a construção da grande estátua de Buda no templo Todaiji em Nara, no ano 752 EC. Era um Buda que não tinha época, nem lugar, nem raça e acabou convertendo-se em um dos cinco guardiões da meditação. Os japoneses o adoravam como o Dainichi-nyorai “o grande Buda do sol”.

O segundo período do evolução do budismo japonês teve seu centro principal a cidade de Quioto entre os anos 794 e 853 EC. Dengyo Daishi e Kobo Daishi foram os monges que desenvolveram um budismo completamente japonês. Kobo Daishi escreveu um de seus textos mais importantes da época, o Ryobu, ou “Xintoísmo de dois lados”. Seus ensinamentos afirmavam que o xintoísmo e o budismo podiam coexistir. Uma das crenças importantes do texto é que convertia os kami xintoístas em bodhisattvas, que são os guardiões espirituais dos templos budistas. Dengyo fundou a escola Tendai. A escola que combinava os ensinamentos de ambos passou a se chamar Shingon.

O terceiro período, suponho que seja o amadurecimento do budismo no Japão, e estabelecimento de crenças unicamente japonesas. O símbolo deste importante período é uma das obras fundamentais da literatura japonesa. O conto de Genji escrito por Murasaki.

O quarto período, o kamakura suponho ser o desenvolvimento de quadro escolas distintas dentro do budismo japonês. As  duas primeiras era a Jodo e a Shinshu, que finalmente acabaram se unindo em Amida. A terceira escola era a Nichiren e a quarta é a Zen.  A escola Nichiren afirmava ser a única escola verdadeira de budismo. Sabe-se que Eisai foi o primeiro a introduzir o budismo Zen no Japão, sendo a mais influente de todas.

No Japão a prática da disciplina do zen budismo ocorreu sobre tudo entre os membros da classe guerreira. A razão disto reside na confiança zen na intuição como algo oposto ao intelecto. Só através o pensamento transcendente se podia conseguir a iluminação.

Deidades e heróis Zen
No zen budismo as figuras históricas frequentemente possuem um estado de divindades. Assim se unem a história e a mitologia.

Bodhidharma
O zen budismo foi fundado por Bodhidharma, um monge indiano que viajou à China. Conta-se um relato acerca de seu rígido ascetismo; uma vez que ele caiu no sono durante uma meditação e quando acordou estava furioso consigo mesmo. Cortou as próprias pálpebras para que não voltasse a cair no sono novamente. Das duas pálpebras cortadas brotaram as primeiras plantas de chá. O chá então se tornou a bebida sagrada dos zen budistas.

Manjushri
Levava uma espada na mão direita e um sutra (livro de orações) na mão esquerda. Atuava sem piedade destruindo a ira, a avareza e a insensatez.

Kannon Bosatsu
É representado com mil braços e com uma arma diferente em cada um deles.

Fudo Myo
Espírito impassível e imperturbável. É representado com uma espada na mão direita e uma corda na esquerda, com os dentes cerrados e um olhar em chamas. Capaz de esmagar sem piedade a qualquer um que ameaçar os ensinamentos de Buda, era o salvador das almas e patrono dos ascetas. (do livro “Divindades e demônios orientais”).


Seisshin Teki Kyoyo | Refinamento espiritual|

O xintoísmo, o “caminho dos deuses”, era a antiga religião autóctona do Japão. Hoje em dia, no entanto, se pratica uma forma modificada de xintoísmo que não é bem uma religião, senão uma série de costumes tradicionais.
Teve seu começo nos tempos da pré-história como um culto aos Kaki, as inúmeras divindades que, se acreditava, habitavam as montanhas, as árvores, pedras, rios e outro fenômenos naturais.

A partir do século VI começou a fusão entre o culto das divindades da natureza e os elementos do budismo, confucionismo e taoismo que vieram da China.

A principal preocupação do xintoísmo é este mundo, e sua forma mais visível de expressão consiste na visita ritual aos altares. Os Kami (deuses), figuras centrais do xintoísmo, são seres indefinidos, que possuem poder sobrenatural. Inari (o provedor de arroz), é a divindade mais popular no Japão. No princípio, foi protetor da agricultura, porém atualmente, é venerado para pedir pelo trabalho.

O foco do xintoísmo é nesse mundo e não no outro, isso significa que os rituais  fundamentais são o nascimento e matrimônio; os velórios são rituais budistas, embora também há rituais funerário xintoístas, baseados nos modelos budistas que são utilizados por imperadores japoneses e os sacerdotes dos santuários e suas famílias.

Izanagi e Izamani
Segundo o Kojiki e o Nihongi (livros fundamentais da mitologia japonesa), dois kami, Izanagi e Izanami, irmão e irmã, criaram as ilhas do Japão. Eles se encontravam “no poente flutuante do firmamento” (ou arco íris) e baixaram a “lança de pedras preciosas” que tocou a substancia primordial que encontrava embaixo dos oceanos. O mar engoliu a ponta da lança e a partir dela se formou uma ilha. Izanagi, “o homem que convida” e Izanami “a mulher que convida”, desceram até a terra, se uniram e deram a luz as oito ilhas do Japão. Depois criaram os 30 espíritos da terra, do mar, as estações, os ventos, as montanhas, as árvores, os ermos e o fogo.

Principais divindades do xintoísmo

Amaterasu
A deusa do sol, é uma figura chavo no panteão xintoísta.

Susanowo
O deus da tempestade e soberano dos oceanos. Era também um exterminador de demônios, um deus de pouca confiança.

Hachiman
O deus ta guerra e protetor das crianças. Quando o budismo se tornou uma religião de massa, Hachiman se tornou o guardião dos santuários e passou a ser um bodhisattva.

Inari
A deusa do arroz, também era a deusa da alimentação. Levava a prosperidade aos campos, que o melhor presente que pode-se esperar em uma comunidade agrária.

Kaguya-Hime
É um espírito celestial e era a criatura mais extraordinária da terra.

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